sábado, 28 de fevereiro de 2015

O prato do dia





Você chega em um restaurante, o garçom lhe acompanha a uma mesa, você senta-se.
O garçom educadamente lhe sugere o prato do dia.
Você aceita e após alguns minutos de espera, o prato é colocado diante de você.
Ao observar o prato você percebe que está muito bonito, com um aroma agradável, aparentemente muito apetitoso.
O garçom pergunta se deseja algo mais, você diz que não e agradece. O  garçom com um sorriso educado pede licença e se retira.
Você começa a comer, está muito saboroso. Porém ao comer determinado componente do prato, lamentavelmente o sabor não lhe agrada, está bem diferente do esperado. Realmente desagradável.

O que você faz?
Chama o garçom e pede para trocar?
Come mesmo assim?
Deixa de lado e come apenas o que gostou?

No restaurante da vida é assim.
Nem todos os pratos servidos estão totalmente de acordo com o nosso paladar.
O que não podemos é ignorar o fato de que sempre temos escolhas.

Autoria: Rafael Silveira

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Ela




Ela nasceu, linda, podendo ser considerada a mais belas das criações divinas.
A criança ia crescendo, conhecendo o mundo ao seu redor, localizando-se no tempo e no espaço.
Um dia, viu-se no auge de sua juventude, a linda menina torna-se uma jovem muito atraente. Porém estava repleta de medos, dúvidas e questionamentos, mas certa de que queria entregar-se, experimentar e sentir tudo o que o mundo tinha para lhe oferecer. Queria apaixonar-se, viver um grande amor.
Anos mais tarde, após ter deixado para trás muitas coisas além da juventude, era agora uma mulher adulta, com seus compromissos e obrigações, sem tempo para viver uma grande paixão, ou ainda dar-se ao luxo de sofrer por alguém que muito lhe magoou. Apesar de vaidosa, não via mais sentido em dar tanta importância para uma coisa que percebera ser tão passageira e finita como a beleza exterior. Estava agora muito mais preocupada em definir o seu ser. Preocupada em entender-se e conhecer-se, muito mais do que ao mundo que a rodeava.
Em certo momento percebeu que o caminho trilhado por todo esse tempo, aproximava-se do fim. Estava finalmente chegando em algum lugar. Sentindo uma enorme satisfação, olhou em sua volta, tentando encontrar alguns daqueles que lhe acompanharam em certos momentos desse caminho. Lembrou-se de seus familiares, amigos e amores. Muitos não conseguiram ou puderam lhe acompanhar até ali. Viu-se só, mas não solitária. Os sentimentos cativados por alguns ao longo de sua jornada traziam ao seu coração uma imensa alegria e satisfação.
O fim do caminho estava a cada instante mais próximo, a visão tanto do que deixara para trás, quanto do que estava por vir, era deslumbrante. Faltavam-lhe palavras para explicar tudo o que estava sentindo.
Finalmente concluiu sua jornada. Nesse instante, cansada, porém grata, olhou para o horizonte. Lembrou-se de tudo mais uma vez. Sentiu-se maravilhada por saber que havia passado por muitas coisas, e ver que ainda existia um mundo inteiro de sentimentos, sensações e amores que poderia conhecer, mas o que lhe restara agora era aceitar o fim do seu caminho.

Deitou-se. E suavemente fechou seus olhos.,

Autoria: Rafael Silveira

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Pessoas









Algumas pessoas vão te magoar.
Algumas pessoas vão te enganar.
Algumas pessoas vão te mentir.
Algumas pessoas vão te decepcionar.
Algumas pessoas vão te trair.

Mas por incrível que pareça, é necessário que saibamos perdoar e entender que pessoas enganam, mentem, decepcionam, traem e abandonam.

Isso pelo simples fato de serem pessoas, e pessoas não são perfeitas.

Por isso temos que respeitar uns aos outros, cientes de que também somos pessoas e estamos sujeitos a cometermos os mesmos erros.

Cada pessoa tem uma história, uma personalidade e um caráter, isso torna cada pessoa única.

Essa singularidade nos torna os seres mais interessantes do universo, pois faz de nós, seres humanos.

E é isso que nunca devemos deixar de ser.

Humanos.

Que nada que aconteça em nossas vidas nos faça perder a humanidade que há em nós.


Autoria: Rafael Silveira

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A janela





Abri meus olhos. Pela janela entrava uma brisa agradável, o amanhecer estava chegando. Isso estava evidente, afinal, a luz tímida do sol brotava por trás dos telhados.

Sabia que deveria levantar da cama, porém, o momento era tão único que não me atreveria a interromper o que estava acontecendo.

Eu continuava olhando o que acontecia do lado de fora da janela, sentindo minha mente ser trasportada para uma realidade alternativa.

Foi então que vi um homem sentado em uma cadeira, observando a luz do amanhecer. Não poderei dizer ao certo sua idade, embora, certamente já havia passado dos setenta anos. Isso era evidente, levando em consideração seus cabelos brancos, a fragilidade física e principalmente, os traços em sua pele. Toda essa representação, aliada a um olhar que transmitia doçura, mágoas, alegrias e muitas experiências vividas, gerava em seu espectador a sensação de estar diante de uma pessoa repleta de sabedoria e muito para ensinar.

Eu não me mexia, nem falava coisa alguma. Não queria interromper o cenário montado diante de mim, estava tentando aprender algo com tudo aquilo, era muito fascinante. Foi então que, calmamente, ele virou seu rosto em minha direção, olhou nos meus olhos, sorriu de uma forma doce e calma, como se soubesse tudo o que eu estava pensando. Segundos após, ele interrompeu o silêncio, com uma voz rouca, envelhecida, porém repleta de certeza e carinho, o que eu ouvi foi:

"Siga em frente. Viva um dia após o outro. Trate da melhor maneira possível todos os que se aproximarem de você, e quando você se aproximar de alguém, não esqueça, seja você mesmo, mas não deixe de mudar, é claro, sempre para o melhor que você pode ser.

Se sacrificar por alguém não significa que você não se valoriza, apenas que valoriza o que sente.

Bem, o caminho que você tem pela frente não será fácil, mas as alegrias vividas vão te recompensar, acredite no que estou lhe falando. Um dia você vai olhar para trás, vai se ver jovem, cheio de medos e dúvidas, mas com toda a vida pela frente. Nesse dia, seu coração vai estar cheio de toda a certeza de que cada instante vivido, cada dor, cada alegria, cada lágrima, cada sorriso, enfim, tudo o que você passou fez a vida valer a pena"

Quando terminou de falar essas palavras, ele olhou para o horizonte com um lindo brilho nos olhos. Lentamente suas pálpebras cobriram seu olhar, foi então que eu acordei.


Autoria: Rafael Silveira

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Saudades da sombra da bergamoteira






Vivemos em um sistema onde somos influenciados a estar constantemente em busca de coisas que, quando adquiridas, apenas agilizam o nosso sofrimento e nos fazem desejar outras que não precisamos, para alcançar uma felicidade que não existe.

Você vive todos os dias pensando no que precisa adquirir e em como ganhar mais dinheiro para cobrir seus gastos.

Trabalha, em algumas vezes, em um emprego que não gosta, quando possível, busca qualificação profissional para conseguir uma melhor posição no mercado de trabalho, e quando alcança o emprego desejado, com um salário melhor que os anteriores, passa a adquirir, gastar e almejar, mais do que já possui.

E assim você continua, como um rato de laboratório correndo em sua roda que não leva a lugar algum.

Nesse processo desgastante e desgraçado, deixamos de lado a VIDA, somos levados a esquecer as alegrias de viver e a gratidão pelo que possuímos. Fazemos de coisas fúteis, necessidades extremas, e com isso, abandonamos o prazer de  aproveitar as coisas simples que nos rodeiam, por exemplo, estar com a família na sombra de uma bergamoteira.

Autoria: Rafael Silveira

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Vivendo







A vida de tempos em tempos nos apresenta situações incríveis, nos mostrando que não estamos no controle, que não sabemos tudo, e que aquilo que pensávamos saber, na realidade, ainda nem aprendemos.
Aprendemos a conhecer as pessoas, mas que nunca conhecemos alguém totalmente.
Aprendemos que alguns jogam, que podemos jogar, mas que todo jogo sempre tem um perdedor.
Aprendemos que ainda que algo pareça o melhor a fazer, sempre existe uma opção melhor, geralmente com menos sofrimento.
Aprendemos a ouvir nosso coração, mas que nem sempre ele deve ser seguido.
Aprendemos que maturidade não está em tratar tudo apenas com a razão e que devemos viver e observar a vida com a graça de um ancião e a alegria de uma criança.

Autoria: Rafael Silveira.